Estante de livros com reaproveitamento de materiais

Estou em minha última semana de férias*. Peguei três semanas e nestas férias não viajamos e, para falar a verdade, eu mal saí de casa. Poxa, que chato, você pode pensar. O que talvez você não saiba é que estas férias estavam planejadas desde outubro último e que eu mantinha desde então uma lousa com a contagem regressiva. Sabe por quê? Porque estas férias foram planejadas para receber e cuidar do novo morador da casa, o novo membro da gangue dos bichos, o Victor Van Vedder.

Prazer, Victor
Com uma cachorra e um gato em casa, a Mônica e o Totoro, eu precisava estar disponível em tempo integral para promover a integração do filhote e garantir seu bem estar. Missão cumprida! Duas semanas depois eles interagem, brincam e dormem próximos.

Mas o que isso tem a ver com o título da postagem? É que eu precisava ocupar meu tempo. Descansei até cansar nos primeiros dias, organizei estantes e armários e, na semana passada, coloquei em prática um projeto esboçado alguns meses atrás: fazer mais uma estante para a área da biblioteca. A "biblioteca" não é um cômodo mas uma parede no final do corredor.


Sempre quis ter um armário para guardar minha memorábilia: álbuns de fotos, journals (diários) e outras recordações. Além disso, sempre tenho livros separados para venda e doação e eles ficavam empilhados no chão da biblioteca, dando uma cara feia e bagunçada para o local.

Aliada à necessidade de um espaço, eu tinha muitas sobras de MDF e outros materiais. Nós fizemos uma casinha linda para a Mônica e o Totoro (eu nunca mostrei, vou tentar resgatar fotos) mas, depois de um tempo e após um inverno mais intenso, a casinha deixou de ser útil e nós a desmontamos. Isso estava dando trabalho porque os pedaços de MDF ficavam num canto da varanda e, como não podem ser molhados, era precisava retirá-los todas as vezes em que a varanda é lavada.

Medi o espaço disponível na biblioteca, os pedaços de MDF e calculei o que poderia ser feito.




Eu tinha ciência de que não ficaria perfeito porque:
- não sou profissional em marcenaria;
- não tenho serra circular e usaria serra tico-tico para cortar os pedaços de MDF;
- não tinha MDF suficiente nos tamanhos necessários então era preciso fazer alguns remendos.

Mesmo assim, confiando na minha criatividade, coloquei a mão na massa e montei o móvel numa única tarde:
- Pela manhã, conferi e fiz alguns ajustes no projeto e risquei o MDF;
- À tarde cortei o MDF e montei o móvel.

Por estar cansada, não conseguia pensar no acabamento. Mas nada como um dia após o outro e uma boa noite de sono. Acordei inspirada e decidi fazer uma pátina mexicana na parte externa.

Para não tornar este post muito extenso, ensino a técnica da pátina mexicana no próximo post.




Estante pintada, já numa pegada exagerada, kitsch, já que o móvel é exclusivamente meu, eu precisava fechá-la para manter seu interior mais limpo. Sei que cortinas não são uma unanimidade para fechar móveis mas a estante era uma criação 100% minha e eu decidi potencializar o estilo fazendo uma cortina usando retalhos que eu tinha em casa. Separei alguns retalhos, pensei nas combinações e mais uma vez fui dormir para amadurecer a ideia.


Cortina pronta, coloquei os pés no móvel, faltava colocar os retalhos de barra roscada para pendurar a cortina. Eu já havia deixado a estante furada, foi um sufoco rosquear toda a extensão da barra e meu filho me ajudou a serrar a sobra.


A estante mexican kitsch estava pronta!


Comentei com meu marido: sei que não está perfeito mas puxa orgulho que me deu!!

Ontem passei o dia num outro projeto: cadastrar os livros para vendê-los na Amazon.
Me propus a manter a loja por 3 meses. Vem conhecer os livros do Bazar Cultural & Colecionismo na Amazon e me ajudar a fazer os livros circularem.


Espero que tenho gostado do projeto e que ele te inspire também criar.


San


*Este post foi escrito na semana anterior mas tivemos alguns problemas de saúde e não eu não tive tempo nem ânimo para fazer a edição e publicar o post.

O que aconteceu com os ursos do Bandung Zoo?

Dias atrás, uma de minhas lembranças do Facebook era um link que compartilhei em 2017 pedindo a ajuda de meus amigos para também assinarem uma petição.


O link mostrava imagens chocantes de ursos malaios - ou ursos-do-sol (sun bears) - esqueléticos, em pé, implorando comida para os visitantes do Bandung Zoo, na Indonésia. Era de cortar o coração e perder a fé na humanidade.

A petição pedia o fechamento do Bandug Zoo. Ela exibia um vídeo feito no ano anterior pela ONG Scorpions Wildlife Trade Monitoring Group. Ao acessar o link vi que, dois anos depois, não havia ainda sido atingida a quantidade de assinaturas necessárias.

Isso me fez pensar. Após assinar a petição eu recebi algumas atualizações sobre ela e depois o assunto caiu no esquecimento. É neste ponto que eu quero chegar.

O acesso à informação se tornou algo tão banal. Em minutos podemos ter acesso a qualquer assunto, notícia, livro, música. Com um clique podemos traduzir sites de idiomas que nem sabemos qual é. O volume de informações aumentou absurdamente, em detrimento da qualidade e de nossa capacidade de absorvê-las.

Um assunto que é tão importante para mim como a proteção aos animais, um vídeo que me fez chorar de dor, em poucos meses caiu no meu esquecimento.

Talvez devêssemos parar para pensar, respirar. Desacelerar. Somos bombardeados a cada minuto por dezenas, centenas de pseudo-manifestações pró e contra todo e qualquer assunto que se possa imaginar. O Facebook se tornou um insuportável mural de compartilhamentos de imagens e links duvidosos.

Um assunto em especial que me aborrece são os compartilhamentos de maus tratos aos animais. Na maioria das vezes me pergunto, por quê? Me causa tanta dor ver animais feridos e maltratados. Isso vai mudar alguma coisa para mim? Vai mudar alguma coisa para alguém que não se importa com os animais? E para algum sádico que faz este tipo de coisa?

Em contrapartida, como aquece o coração ler e assistir histórias como as do Instituto Vida Livre, que mostram o trabalho de profissionais que se dedicam a resgatar, cuidar e preparar para soltura animais vítimas de tráfico no Brasil, ou as do The Dodo, que compartilha histórias de coragem e bondade humana em favor dos direitos dos animais e o encanto e beleza de tantas espécies.

Às vezes é preciso falar de coisas tristes como o uso de animais na indústria de cosméticos, porque a maioria de nós nem tem consciência deste assunto. Mas o que vejo diariamente é um bombardeio de compartilhamentos, num ato mecânico e sem sentimento. Parem.

Mas afinal, o que aconteceu com os ursos do Bandung Zoo?

O zoo nunca foi fechado, embora tenha havido outras denúncias de maus tratos, como a de um orangotango fumando cigarro dado por um visitante do zoo.

Ainda em 2017, por causa dos holofotes sobre o zoológico, os ursos passaram a ser melhor alimentados.

Houve pessoas que se aproveitaram da comoção mundial sobre o assunto e criaram fundos para cuidar dos animais e depois se apropriaram do dinheiro.

Numa estratégia de marketing, o zoo comemorou no ano passado, com muita divulgação, o aniversário de 1 ano de uma ursa,  com direito a balões e presentes.

Respira fundo.

O zoo mantém perfil no Instagram, criado logo após as denúncias, que mostra visitantes felizes e animais aparentemente em condições saudáveis. Me chamou a atenção uma foto de dois cães que moram no zoo e senti um arrepio ao me lembrar de cães que eram agredidos para aprenderem a andar sobre duas patas.

Após fazer todas estas pesquisas não fiquei feliz com o que encontrei nem me senti menos culpada depois de ter esquecido o assunto.

Minha sobrinha Brenda, do Sobre livros e traduções, ainda na faculdade de jornalismo, fez um trabalho em que comparava zoológicos a prisões perpétuas. Veja se isso não faz todo o sentido e é miseravelmente verdade e triste! E, ao contrário dos prisioneiros, os animais não cometeram nenhum crime para viverem enjaulados, restritos a poucos metros quadrados, privados da liberdade, do convívio com outros animais e de seus instintos de caça e sobrevivência. Tenho viva na memória a lembrança de pinguins num zoológico no interior de São Paulo, num cubículo envidraçado. Mal era possível vê-los pois os vidros estavam embaçados por causa da diferença de temperatura.

Vamos escolher nossas batalhas e lutar por elas. Ficar só compartilhando e criticando isso ou aquilo no Facebook ou no Whatsapp só faz de você um chato. Me desculpa.


Sandra

Pão de Cristo - Índice e dica adicional

Pão de Cristo: do zero ao pão

Se você quer fazer Pão de Cristo mas não tem o fermento, inicie o fermento do zero seguindo este post:

A partir do momento em que você tem o fermento, você deve refrescá-lo um dia antes de fazer o pão:

E, finalmente, fazer a massa do pão:
Pão de Cristo - Parte 3: fazendo o pão




Problemas para abrir a garrafa de fermento

Uma amiga que recebeu o fermento teve problemas na hora abrir a garrafa. São micro-organismos  então você deve abrir a garrafa com o fermento bem devagarzinho. Se conseguir, abra só um pouquinho e, se o fermento não subir, deixe assim por cerca de uma hora, depois abra mais um pouco cuidadosamente até que o gás saia todo e você possa transferir o fermento para uma vasilha. Se, ao abrir a garrafa, o fermento começar a subir, feche-a imediatamente, antes que ele transborde e você perca seu precioso líquido. Espere o fermento abaixar e tente novamente.

Por favor, não chacoalhe a garrafa! O resíduo que fica no fundo da garrafa pode ser retirado com a água que você vai usar na hora de multiplicar o fermento. Aí sim você pode misturar a água com o resto de fermento.


Pão de Cristo sem sova: o método das dobras

O pão de Cristo é um legítimo representante do slow food: requer tempo e dedicação. Eu costumo fazê-lo no fim de semana, quando tenho mais condições de estar por perto e acompanhar o crescimento da massa nas duas fermentações. Outro fator que pesa na hora de decidir quando fazer o pão é a sova. Depois que eu operei meus dois pulsos, com intervalo de 6 meses entre cada cirurgia,  para tratar síndrome de túnel do carpo, sinto uma alegria especial em poder fazer a sova, coisa que eu não conseguia fazer antes. Mas isso pede energia e nem sempre tenho disposição durante a semana então eu faço o pão usando o método das dobras. Não há diferença nenhuma, o pão cresce igualzinho e o sabor é o mesmo.

Vamos aprender?

Na hora de fazer a massa, coloque todos os ingredientes, misture bem, se precisar use as mãos para deixar a mistura uniforme, cubra a massa com um guardanapo e deixe descansando por 2 horas, de preferência num local sem corrente de ar. O forno desligado é o local ideal.

Passadas duas horas, com a massa na tigela, pegue um lado da massa com as duas mãos, puxe para cima e traga a massa para o outro lado. Faça isso em toda a volta da massa, cubra novamente e deixe descansar por 30 minutos.

Fonte: www.massamadreblog.com.br
Repita este processo mais 3 vezes com intervalo de 30 minutos. A cada intervalo você vai perceber que a massa está mais elástica.

Em resumo:
- Primeiro descanso de 2 horas;
- Dobras e descanso de 30 minutos;
- Dobras e descanso de 30 minutos;
- Dobras e descanso de 30 minutos.

Deixe a massa crescer até dobrar de volume e o restante é como a receita original.



Espero que esta postagem te inspire a criar seu próprio fermento e a compartilhar esta delícia com as pessoas queridas.

San

Pequena seleção de receitas de biscoitos natalinos

Durante o mês de dezembro fizemos muitos biscoitos de Natal. Sabe aquelas coisas que eu sempre falo, sobre comfort food e memória afetiva? É o que eu tento criar e passar para minha família. No primeiro domingo do advento, quando montamos toda a decoração de Natal, também fizemos biscoitos. (Neste post a Fabiana Tardochi explica qual a data certa de montar a árvore de Natal).

Nesse dia, fizemos duas receitas novas. Meu filho e eu decoramos despretensiosamente os biscoitos e eles fizeram muito sucesso. Depois de frios, coloquei-os em latas e deixei sob a árvore de Natal.

Durante o mês, repetimos as receitas e também fizemos o tradicional gingerbread, receita que, lembrando agora, busquei e cheguei na receita ideal quando estava grávida do Lucas. Luana levou um pote cheio de gingerbread para dividir com os colegas de classe. Lucas nasceu no dia 20 de dezembro então é um mês mais que especial para nós.

Decidi fazer este post porque as fotos e links estão muito espalhadas pelas redes sociais e, aqui, você pode escolher a receita que melhor te agrada ou mais que uma.
Também não vou encher o post com mais fotos. Os links te mostram como fica cada uma das receitas. Ao invés disso, vou colocar minhas considerações pessoais sobre cada receita.

Por ordem de dificuldade:

Biscoito 1 2 3, receita da Rita Lobo
- De longe, o mais fácil de fazer, leva só 3 ingredientes, não precisa gelar a massa, abri-la com rolo nem usar cortador e ficam muito saborosos.
- Você pode dar um toque a mais de sabor passando a parte de cima do biscoito em açúcar cristal antes de assar, ou colocar canela ou raspas de limão na massa.

Biscoitos Decorados de Natal, receita da Ana Luiza, do Confeitando
- Esta receita já está em nossos corações. Vou copiá-la no caderno de receitas que é onde ficam nossas receitas especiais. Receita e explicações perfeitas, não tem risco de errar.
- A receita pede 1 colher de sopa de canela. Na primeira vez que fizemos, colocamos só uma colher de chá pois a intenção era agradar o paladar infantil. Na segunda vez, coloquei a quantidade pedida, para experimentar. É muita canela, a ponto de escurecer a massa. O sabor da canela fica bem evidente, particularmente gosto mas você decide se coloca e quanto.
- Substituir a canela por raspas de limão também é uma ótima pedida.
- E não tem nenhuma lei que obrigue as pessoas a decorarem os biscoitos, ok? :) Estou fazendo a última fornada para levar numa viagem então quanto mais simples eles forem, melhor.

Gingerbread - Biscoitos de Gengibre
Esta receita é aqui do blog, como citei antes.
- A receita rende muito, cerca de 6 fornadas de biscoitos.
- É a receita mais elaborada e com mais ingredientes.
- A massa precisa estar bem gelada para poder ser manipulada.
- O sabor é inigualável <3

De quebra, mais uma receitinha que não é de Natal mas que é muito fácil de fazer e faz o maior sucesso, também do Luka Luluka:
Cookies da Amizade

E se você chegou até aqui, talvez queira ler este post muito pertinente para esta época de Natal:
Você pode parar agora.


Nos vemos em mais um ou dois posts antes do ano terminar, combinado?


Abraços,

San


Pão de Cristo - Parte 3: fazendo o pão

Este é o terceiro e último post com a receita para se fazer o Pão de Cristo, feito com fermento natural líquido, também chamado de fermento de garrafa.

Nas postagens anteriores, você aprendeu:
- a criar seu próprio fermento, do zero;
- a refrescar o fermento.
E agora vamos finalmente fazer o pão.

- No dia anterior, você colocou seu fermento para refrescar. Misture o fermento refrescado com uma colher, para ficar homogêneo;
- Separe 500ml do fermento para fazer o pão e guarde o restante em garrafa pet de 2 litros, bem fechada em geladeira. O fermento que vai para a geladeira é o que você vai usar na próxima vez em que for fazer pão. Você recomeça o ciclo de refrescar, multiplicar e fazer o pão. Ele se mantém forte por cerca de 15 dias. Se você não for fazer pão após este período, refresque o fermento mesmo assim e descarte ou, muito melhor, doe a parte que sobrar. Eu nunca joguei fermento fora, faço pães a cada duas semanas.

Vamos à receita?

Ingredientes:
- 500ml de fermento refrescado;
-2 ovos grandes;
- 5g de sal;
-110ml de óleo;
- 200g de açúcar (eu uso açúcar cristal);
-1kg de trigo (mais cerca de 300g para enfarinhar).

Modo de Preparo:
A massa
- Numa vasilha grande, junte um a um os cinco primeiros ingredientes, misturando a cada adição;
- Acrescente a farinha e misture bem;
- Quando estiver bem misturado e a massa começar a ficar pesada, polvilhe farinha numa superfície limpa, coloque a massa e comece a sovar. Faça movimentos repetidos, usando as duas mãos, esticando e juntando a massa por, pelo menos, 10 minutos.

Primeira fermentação
- Coloque um pouco de farinha na vasilha onde a massa foi misturada, coloque a massa, cubra com um guardanapo ou filme de PVC e deixe num local sem vento. Eu deixo dentro do forno com a luz acesa. Deixe a massa descansar até dobrar de volume. O tempo depende de uma série de fatores como calor, umidade, farinha. Este pão é um legítimo representante do slow food. Faça sem pressa e deixe a massa crescer no tempo dela. Com a prática você vai chegar num tempo médio desta primeira fermentação. Aqui em casa leva cerca de 8 horas.

Modelagem e segunda fermentação
- Após a massa dobrar de volume, enfarinhe uma superfície e coloque a massa. Com uma faca, divida a massa para fazer os pães nos tamanhos desejados. Eu faço dois pães grandes com metade da massa e 6 pães pequenos com a outra metade.
- Coloque a massa em superfície enfarinhada e estique-a com um rolo. Não precisa esticar muito. Enrole a massa, dando o formato de pão e coloque em assadeiras;
- Deixe descoberto no forno desligado até dobrar de tamanho de novo.

Pães indo para a segunda fermentação

Pães após segunda fermentação, prontos para serem assados

Assando o pão
- Após os pães crescerem, aqueça o forno a 180° por 10 minutos e coloque o pão para assar na mesma temperatura, uma assadeira por vez.
- Asse por cerca de 15 a 20 minutos. O pão vai estar corado por cima e na base e, ao desenformar, faz um barulho de oco se você bater na base.
- Desenforme quente sobre um guardanapo e, se possível, deixe-os esfriando em cima de uma grelha.
- Espere os pães esfriarem (se conseguir) e sirva puro ou com manteiga.



Esta receita rende uma quantidade generosa de pães. Eu sempre divido com os vizinhos e amigos do trabalho. Tem gente que conserva em geladeira ou mesmo congela o pão mas eu nunca experimentei fazê-lo.

Você me conta se fez a receita e se as instruções estão claras?

Aprendei a fazer o Pão de Cristo com a Aurea Marques, a quem sou eternamente grata <3

San


Pão de Cristo - parte 2: refrescando o fermento

No post anterior, ensinei como começar do zero o fermento de garrafa. Você seguiu a receita e deixou a garrafa quietinha em temperatura ambiente por 7 dias. Agora, sem agitar, você vai abrir a garrafa aos poucos, para que o gás não saia de uma vez e transborde.

Se você ganhou o fermento de alguém é daqui que você começa também.

Nós precisamos refrescar o fermento antes de fazer o pão. Isso significa que você vai alimentar as leveduras para que elas se fortaleçam e se multipliquem.

Para isso, você vai colocar numa vasilha grande (eu uso uma vasilha de plástico para pipoca) a mistura de fermento que você retirou da garrafa, e acrescentar os mesmos ingredientes que utilizou para começar o fermento:

- 500ml de água;
- 60g (1/2 xícara) de farinha de trigo;
- 40g (1/4 xícara) de açúcar;
-5g (1 colher de sopa rasa) de sal.

Misture tudo, cubra com um guardanapo e deixe num local sem ventilação (eu deixo dentro do forno desligado) por 12 a 24 horas.

Guarde a garrafa onde você cultivou o fermento, vamos precisar dela amanhã. Você pode lavá-la mas só com água. Se quiser mesmo lavar com detergente, tenha certeza de que não sobrou nenhum vestígio dele pois isso contamina o fermento.

No próximo post vamos finalmente fazer o pão.

Por enquanto é só isso, até amanhã.

Ah, talvez você esteja se questionando se vale mesmo a pena esse "trabalhão" todo. Para começar, não é tanto trabalho assim. Depois que você pega o jeito, é tudo muito fácil e o prazer de ter pães quentinhos e deliciosos saindo do seu próprio forno valem o esforço.




San


A gente ama cozinhar

Chegou pelos correios hoje uma caixa contendo um pequeno objeto de desejo: uma pá para pizza. Com a receita perfeita e assadeira de ferro, só me faltava uma pá para poder assar mais que uma pizza e facilitar a brincadeira na cozinha (Anotei aqui: passar pra vocês a receita da pizza).


A foto acima mostra bem o nosso ecletismo rsrs: pá de pizza, livros de receitas saudáveis e japonesas.

Ontem eu estava inspirada. Começou com o lanche da tarde, a pedido do meu filho que está em férias: waffles. Há 4 anos atrás, em Monte Verde, Minas Gerais, após apreciar esta delícia todos os dias no café da manhã, tomamos a decisão de comprar uma máquina de waffles, um ótimo investimento! Um lanche delicioso que a gente começa a comer com os olhos e agrada em cheio qualquer visita. Se você ficou com vontade e não tem uma máquina de waffles, faz panqueca americana, que é tão bom quanto, hummmm.


Comecei a assistir a uma série japonesa na Netflix esta semana, Japanese Style Originator. Assisti o primeiro episódio por enquanto, é um programa de variedades e, apesar de amar a cultura japonesa, achei o formato do programas um pouco cansativo. Mas o que eu gostei mesmo foi de ver o chef fazendo tempurá. Eu adoro filmes com o tema culinária, adoro! Tem uma série chamada Midnight Dinner: Tokyo Stories, muito boa, me deixava com fome a cada episódio rsrs. E o tempurá? Eu tinha que fazer, fiquei com vontade.


Para fazer o tempurá, fui buscar a receita num antigo livro de cozinha japonesa e isso meu deu um baita saudosismo: o livro é da Ediouro, que vendia livros pelos correios. Jovens, entendam: não havia internet, a gente via propaganda de livros em revistas ou em outros livros, num folder na última página. Mandávamos o pedido pelo correio através do folder, que era um envelope pré-pago. Que legal, não me lembrava mais disso. Tenho mais alguns livros comprados naquela época, mostro em outra oportunidade.



Como sempre acontece quando estou muito inspirada, quero fazer mil coisas e, inevitavelmente as últimas não ficam boas. Fiz um bolo de banana que não cresceu muito bem e cuzcuz à paulista que ficou tão seco! Eu não fazia há muito tempo e não tinha uma receita nossa, peguei na internet para experimentar. Anotado: na próxima vez fazer uma quantidade menor e colocar mais água.

Às vezes a gente ganha, às vezes a gente aprende, não é não?


San



Pão de Cristo - parte 1: criando o fermento do zero

Lembro-me quando mas não como tudo começou. No início de 2017 eu me vi fascinada pelo mundo da fermentação natural e dos probióticos como kefir, tibico e kombucha.

Me senti desafiada pelo levain, também conhecido como massa madre, fermento natural para pão, à base de água e farinha de trigo. Eu queria fazer do zero, encontrei e testei várias receitas e, finalmente consegui criar meu levain, que cultivo desde então. Em outro momento conversaremos mais sobre ele. Hoje quero falar sobre o Pão de Cristo.

Na saga do levain, comecei a participar de um grupo que troca receitas e dicas e, em certo dia, uma participante nos contou um pouco de sua história e sobre como seu fermento de pão  de Cristo tinha sobrevivido a um período em que ela não pode cuidar dele.

Quando li a história, fui levada a uma viagem no tempo e no espaço. Minha mãe ganhando uma "muda" do fermento, fazendo sua multiplicação, distribuindo para as vizinhas e tias e fazendo um pão delicioso e inesquecível. Memória afetiva, meus queridos, comfort food. Gosto de infância, de pão de mãe.

O pão de Cristo tem este nome pois o fermento se multiplica, assim como Jesus Cristo fez a multiplicação dos pães. Ao contrário do levain, tanto o fermento quanto o pão de Cristo em si são muito fáceis de fazer.

Então, pra não ficar que nem a Mônica, só na vontade de comer os pães, vamos colocar a mão na massa, literalmente.


Vou dividir a receita em partes para facilitar referência futura.

Neste primeiro post compartilho a receita do fermento, que você vai fazer uma única vez e, depois de pronto, apenas alimentá-lo para fazer novos pães e compartilhar com os amigos.

Considerações

Pesos e medidas: compre um copo medidor de líquidos e aconselho também comprar uma balança digital para cozinha. As medidas podem ser feitas com xícaras e colheres mas a precisão da balança facilita o trabalho e evita algumas falhas. A minha eu comprei no eBay por um preço bem camarada e é ótima.
eBay

Água: uso água filtrada em temperatura ambiente. Para o levain, que é um fermento mais exigente, é recomendado usar água mineral ou eliminar o cloro da água através de fervura e esfriamento ou ainda, batendo no liquidificador. 

Farinha de trigo: observe o rótulos das farinhas quando for ao mercado: precisamos da que tiver a maior quantidade de proteína. As farinhas mais comumente encontradas são consideradas fracas para fazer pão. A que encontro com facilidade, tem bom preço e com a qual obtive melhor resultado é a farinha de trigo Finna. Nesta matéria do Amo Pão Caseiro há uma lista de indicações de farinhas encontradas no mercado.

Dentre as considerações, a escolha da farinha é o item mais importante e essencial para fazer um bom pão.

Fermento para Pão de Cristo ou Fermento de Garrafa

Ingredientes:
- 500ml de água;
- 60g (1/2 xícara) de farinha de trigo;
- 40g (1/4 xícara) de açúcar;
-5g (1 colher de sopa rasa) de sal.

Modo de preparo:
- Em uma vasilha misture bem todos os ingredientes;
- Com o auxílio de um funil, coloque tudo numa garrafa PET e tampe bem;
- Deixe a garrafa em temperatura ambiente em local em que não ocorra atrito por 7 dias.


Nos vemos no próximo post!


San

A volta das Ecokeshis

Lá no início dos anos 2010, quando criei o Luka Luluka, a “blogosfera” como era chamada, era um terreno fértil de ideias, cultura, amizade e informação. As coisas fluíam num ritmo leve, intimista e mais lento e, confesso, já sinto saudades daquela época.

Logo no começo do blog, após me inspirar no trabalho de algumas artesãs, criei minhas primeiras ecokeshis. Contei a história neste post.

Nos últimos meses me organizei bastante e tenho praticado um conhecimento adquirido no trabalho, que pode e deve ser aplicado à vida: “Pare de começar e comece a terminar”. Arrumei meu atelier e fiz uma lista com os projetos começados que estavam mais adiantados ou os que eu sabia exatamente como terminar. Fiz outra lista com itens que eu precisava comprar para concluir estes projetos. Me organizei, fui às compras e me senti orgulhosa por ter seguido a lista à risca, comprei tudo o que precisava e nada a mais.

Já estou colhendo os frutos desta dedicação: atelier desentralhando, casa organizada e vida mais leve. 

Neste fim de semana terminei estas ecokeshis antes de me dedicar a alguns presentes que estou fazendo para uma troquinha craft. Adoro estas oportunidades de exercitar minha criatividade e presentear pessoas queridas. No meu mundo imaginário eu presenteio todo mundo com arte, artesanato e biscoitos caseiros rsrs.

O nome “ecokeshi” foi criado pela Lúcia Klein, do saudoso Calma que estou com pressa!! e se refere, sugestivamente, à releitura das adoráveis bonequinhas japonesas, feita com reaproveitamento de materiais.

Estas foram feitas com embalagens em miniatura de shampoo, do tipo que são oferecidas nos hotéis.

Usei primer para selar o plástico, tinta acrílica e retalhos de papéis diversos: revistas, scrap, decoupage, origami.

Criei um trio de kokeshis tradicionais e mais algumas peças...



Ficou estranho...

Assim está melhor!

Uma das primeiras ecokeshis

Estas lindezas foram feitas pela Fabi Sehnem

 Abaixo, a mini estante onde as exibo. O condomínio está ficando apertado pra essa gente toda.



San

Música da Minha Vida - Chuá Chuá

Respira fundo, vamos lá...

A música que escolhi para esta postagem tem uma carga emocional muito grande pra mim. Não é uma música pessoal minha, mas fez parte da minha infância. Em todos os encontros de família, festas de casamento, meus pais e tios a cantavam. Devia ser um hit da época rsrs.

Me dói porque meu pai descansou há quase dois anos (completa em novembro) e a saudade ainda machuca.

Chuá Chuá teve vários intérpretes e eu não saberia dizer quem era o intérprete da época. No vídeo coloquei a versão com Pena Branca & Xavantinho mas certamente não eram eles pois trata-se de uma versão bem posterior (1992).

Em Meu nome é Sandra e eu faço as pessoas chorarem, eu contei um pouco da história dos vídeos emocionantes e de qualidade tosca que eu fazia na década passada para presentear a família e os amigos. Este abaixo, fiz para o aniversário da minha mãe.

Antes, para desatar um pouco o nó na garganta, uma foto leve. Quando minha filha tinha 9 anos, eu pedi para ela desenhar capas para guardarmos de um jeito especial um pouco das nossas memórias. hoje os CDs já são difíceis de assistir, meu notebook nem tem entrada para CD, preciso pedir o do meu marido emprestado, o formato dos arquivos não é reconhecido, preciso usar um conversor... mas as capas, ah, as capinhas continuam lindas!




oOo

Este post participa da blogagem coletiva Música da Minha Vida, ideia da Virginia do blog O Tacho da Pepa.



Vamos conhecer as músicas e histórias das participantes?

Virginia  -    O Tacho da Pepa
Chica      -    Fincando raízes
Nice e Ale - Ipsis Litteris



Obrigada e que a alegria esteja com todos vocês.


San


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