Tudo o que eu devia saber, aprendi no jardim de infância

Semana passada fotografei uma área arborizada pela qual passávamos, meu marido e eu, no caminho do trabalho, até mudarmos o trajeto por causa do trânsito intenso. É uma área muito bonita que tem em seu centro uma paineira, amo fotografá-la ao longo do ano, enfatizando as mudanças de estações. O lugar me remete à um reino mágico, coisas da imaginação.

Para publicar a foto, procurei na internet um texto adequado que falasse de árvores e do momento atual.

Encontrei e publiquei este:

  

"Por que certas pessoas gritam tanto? Seres vivos em geral, gente, árvore, são extremamente sensíveis a gritos. Com paus e pedras podemos partir ossos, mas com palavras partimos corações." 

Considero fundamental checar a fonte de tudo que se publica na internet, então pesquisei para saber quem era Robert Fulghum. E, como em O Silêncio das Montanhas, último livro de Khaled Hosseini, que estou lendo e me perguntando por que foi que eu demorei tanto para comprá-lo e depois mais alguns meses para lê-lo, tamanha a riqueza, delicadeza e fascínio de sua narrativa, o entrelaçamento das histórias... Nada tão intenso ou dramático como as histórias de Hosseini, mas a "coincidência" aconteceu.

Robert Fulghum é um escritor americano, autor de 8 best sellers, entre eles o livro que dá título a este post, publicado em 1988. Em 2002, quando passei uma semana longe de casa, participando de um evento do novo trabalho, conheci um trecho deste livro, aparentemente o mais famoso do autor. Parte porque ele é tão simples, puro e verdadeiro, parte porque havia deixado em casa minha filha, então prestes a fazer 3 anos, eu com o coração aos pedaços de saudade e preocupação, este texto me marcou muito e, em algum lugar, ainda o tenho impresso.

Achei o texto tão apropriado ao cenário atual, aos ânimos das últimas semanas, que quis compartilhá-lo.


Tudo o que eu devia saber, aprendi no jardim de infância

Tudo que eu preciso mesmo saber sobre como viver, o que fazer, e como ser, aprendi no jardim-de-infância. A sabedoria não estava no topo da montanha mais alta, no último ano de um curso superior, mas no tanque de areia do pátio da escolinha maternal. Vejam o que aprendi:
- Dividir tudo com os companheiros.
- Jogar conforme as regras do jogo.
- Não bater em ninguém.
- Guardar os brinquedos onde os encontrava.
- Arrumar a “bagunça” que eu mesmo fazia.
- Não tocar no que não era meu.
- Pedir desculpas, se machucava alguém.
- Lavar as mãos antes de comer.
- Apertar a descarga da privada.
- Biscoito quente e leite frio fazem bem à saúde.
- Fazer de tudo um pouco – estudar, pensar e desenhar, pintar, cantar e dançar, brincar e trabalhar, de tudo um pouco, todos os dias.
- Tirar uma soneca todas as tardes.
- Ao sair pelo mundo, cuidado com o trânsito, ficar sempre de mãos dadas com o companheiro e sempre “de olho” na professora.

Pense na sementinha de feijão, plantada no copo de plástico: as raízes vão para baixo e para dentro, e a planta cresce para cima – ninguém sabe como ou por quê, mas a verdade é que nós também somos assim.
Peixes dourados, porquinhos-da-índia, esquilos, hamsters e até a semente no copinho plástico – tudo isso morre. Nós também. E lembre-se ainda dos livros de histórias infantis e da primeira palavra que você aprendeu, a mais importante de todas: Olhe! Tudo que você precisa mesmo saber está por aí, em algum lugar. A regra de ouro, o amor e os princípios de higiene. Ecologia e política, igualdade e vida saudável.
Escolha um desses itens e o elabore em termos sofisticados, em linguagem de adulto; depois aplique-o à vida de sua família, ao seu trabalho, à forma de governo de seu país, ao seu mundo, e verá que a verdade que ele contém mantém-se clara e firme. Pense o quanto o mundo seria melhor se todos nós – o mundo inteiro – fizéssemos um lanche de biscoitos com leite às três da tarde e depois nos deitássemos, sem a menor preocupação, cada um no seu colchãozinho, para uma soneca. Ou se todos os governos adotassem, como política básica, a ideia de recolocar as coisas nos lugares onde estavam quando foram retiradas; arrumar a “bagunça” que tivessem feito.
E é verdade, não importa quantos anos você tenha: ao sair pelo mundo, vá de mãos dadas, e fique sempre “de olho” no companheiro.

- Robert Fulghum

3 comentários:

  1. Olá, linda postagem...sensível em todos sentidos. O ser humano cresce e se perde do seu melhor, talvez sua essência...
    Amanhã mesmo comprarei este livro, há muito tempo não leio, preciso trocar os óculos, acho que vou começar pelo livro rsrs. Quando li O Caçador de Pipas do autor me emocionei tanto que fiquei um ano inteiro sentindo o efeito dele em mim.

    Abraço!

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  2. Esse texto é maravilhoso! Tua foto e palavras igualmente! Gostei! bjs, tudo de bom,chica

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  3. Que post mais lindooooooooooooooo !!!
    Vou compartilhar no face, com atraso, porque esse ano estou atrasada em tudo... mas foi maravilhoso ler esse post hoje, preciso voltar ao jardim da infância... e preciso desse livro, srrsrsr

    A foto está um deslumbre também !!

    Amei !!!

    Bjus 1000 linda e um dezembro maravilhoso !!!

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