Da delicadeza da vida


Meu bom pai Francisco nos deixou na primeira segunda-feira de novembro. Nos dias que se seguiram, de dor e cura, enquanto cuidávamos uns dos outros, um fato incrível aconteceu.

Meu marido precisou voltar ao trabalho e eu fiquei com a minha mãe por uns dias na casa dela. Nosso filhos e nossos animais ficaram com minha sogra e eu me revezava lá e cá para dar atenção a todos: minha mãe, meus sogros, meus filhos e os animais.

Minha sogra tem três canários do reino que são criados soltos na área de de luz da casa e são tratados com muito carinho.

No segundo ou terceiro dia, não me lembro bem, um incidente aconteceu na casa de minha sogra: nós havíamos chegado com compras de mercado e deixamos a porta da frente da casa aberta. Havia cortinas separando alguns cômodos e os pássaros não tinham o hábito de entrar dentro da casa mas, por uma infelicidade, naquele dia um dos canários, o mais novo, voou atravessando toda a casa até pousar no portão. Eu estava no banho quando ouvi os gritos da minha filha chamando por mim e por minha sogra. Enquanto os animais observavam astutos o pássaro, minha sogra tentou pegá-lo, obviamente sem sucesso, e ele voou para a rua. Foi muito triste, minha sogra saiu pela rua chamando por ele, conversou com um vizinho que tinha pássaros e armou uma arapuca para ver se ele se aproximava.

À noite quando eu já estava na casa de minha mãe, liguei para minha sogra para saber se estava tudo bem. Ela demorou para atender, disse que estava na rua procurando pelo pássaro pois uma chuva forte se aproximava. Não me senti culpada mas responsável.

No dia seguinte, minha mãe comentou que estava conversando com uma vizinha, cujo marido também criava canários, e contou que um pássaro apareceu aos seus pés na véspera, enquanto ele alimentava sua criação. Não podia ser!! Que coincidência! Por desencargo de consciência, mais tarde fui até o vizinho perguntar se eu podia ver o canário que havia aparecido. Contei pra eles a história do do canário fujão e pedi para fotografá-lo para mostrar para minha sogra.

Sem querer dar esperanças falsas mas me sentindo na obrigação de fechar esse ciclo, por assim dizer, liguei para minha sogra e disse que havia enviado via WhatsApp algumas fotos do canário. Ela perguntou: ele tem uma manchinha na cabeça? Eu dei um zoom na foto e não é que tinha mesmo! Eu disse a ela que tinha, disse para ela ver as fotos para saber se era o mesmo animal mas, cinco minutos depois, ela, meu sogro e meu filho já estavam na casa de minha mãe, munidos de gaiola e tudo. E não é que era o mesmo o canário dela! Diante da alegria de meus sogros, da bondade dos vizinhos e da incrível viagem feita por aquele ser pequenino, indo parar exatamente onde seria encontrado, eu fiquei emocionada, me sentei numa escada no quintal, olhei para o céu e senti paz e gratidão.

oOo

Que a alegria esteja com todos vocês.


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