A saga de um cachorrinho de resina

Vocês já devem ter visto no blog e nas redes sociais do Luka Luluka este cachorrinho:


Esta foto é da última vez em que ele apareceu por aqui, no post sobre o pote de bençãos.

Desde que o blog existe ele aparece eventualmente em alguma postagem, no Instagram e Facebook.



Este cachorrinho tem uma longa trajetória: ele foi comprado no Japão, em dezembro de 1998, numa lojinha de artigos de hyaku iene (100 ienes), equivalente às lojas de R$ 1,99 aqui do Brasil, só que muito muito melhor. Comprei junto com ele uma cadeirinha de madeira proporcional ao seu tamanho. Lembro bem da data porque fui com minhas amigas para comprarmos presentes para o amigo secreto que faríamos próximo ao dia de Natal. Muito coincidentemente ganhei de amigo secreto outro cachorrinho e outra cadeira da mesma linha! Era um pastor alemão em posição sentada que, infelizmente, quebrou há um bom tempo atrás. Eu não gosto de objetos quebrados e não tenho problema em me desfazer deles. Penso que eles já cumpriram sua missão e não tem uma energia boa quando quebrados.

Já este cachorrinho está tão perfeito quanto em 1998 e, desde que comecei a trabalhar na empresa que trabalho ainda hoje, em 2002, ele fica sobre meu computador. Uma cliente uma vez pediu para ela, pois se parecia muito com o seu de verdade. Também não tenho dificuldades em dizer não rsrs.

Agora vou contar duas histórias:

História 1: sempre que organizo as coisas em alguma parte da casa, descarto itens que não tem conserto e separo para doação os itens que estão em condição de uso. Há cerca de um mês, separei alguns sapatos e outros itens, que foram colocados numa sacola de plástico bem grande. Para não ficar atrapalhando a circulação aqui em casa, coloquei a sacola no porta malas do carro.

História 2: comecei a trabalhar num projeto que vai durar alguns meses e que exigiu que mudássemos, eu e meus colegas,  para outro prédio da empresa. Começamos nesta segunda-feira e, na sexta-feira anterior, fui até o meu local de trabalho, antes do horário do curso que estava fazendo, para organizar meus pertences. Joguei coisas fora, guardei algumas coisas de trabalho, separei outras para levar no novo local e, a maioria dos objetos pessoais, separei para levar para casa. Esqueci de levar uma sacola e não havia nenhuma no local então peguei na cozinha uma saco de lixo vermelho para colocar meus pertences. Como estava muito pesado, um colega se ofereceu para me ajudar a levar as coisas até o carro. Eu levei o saco e ele levou nas mãos uma caixa de chá e uma pilha de uns 5 livros. Dentro dessa caixa de chá eu coloquei alguns desenhos de meus filhos que estavam num painel em minha mesa, um infusor de chá, um minion e meu cachorrinho. Coloquei no porta malas e eu deveria ter levado tudo pra casa  no fim de semana mas, com o cansaço e a correria, acabei me esquecendo.

Você já deve ter imaginado o que aconteceu. Na quarta-feira meu marido ficou com o carro e nos encontramos à tarde. Enquanto aguardávamos nossa filha, eu comentei com ele sobre o trabalho e que tinha que me lembrar de pegar meu fone de ouvido que estava no porta-malas. Ele então disse: "é um vermelho?". Disse que não me lembrava se tinha vermelho nele mas era aquele bom que ele mesmo havia me dado. Ele então completou "porque eu aproveitei e levei umas coisas na igreja para doação".

Fiquei de boca aberta, tentei pensar rápido, perguntei o que ele havia doado, ele disse que era uma sacola e mais algumas coisas. Se lembrava de que tinha uma caixa de madeira. Minha caixa de chá!! Não, vamos até a igreja, eu explico pra moça da secretaria a situação. Olhei no porta-malas e senti falta da caixa de chá e dos livros. Todos eles.  Já na secretaria da igreja, a moça explicou que tinha algumas coisas com ela mas que outras já haviam sido entregues ao bazar (e o bazar estava fechado). Eu olhei a sacola e a caixa de chá estava lá, assim como 3 dos livros. Me lembrei do infusor que não estava na caixa mas eu havia pago tão barato e muita gente não sabe o que é um infusor então achei desnecessário pedí-lo de volta. Me lembrei de um livro que estava faltando mas não tinha tanta importância, a caixa de chá havia sido recuperada. Ela pediu pra eu escrever num papel o que estava faltando e meu número de telefone para ela verificar no dia seguinte e me ligar. No dia seguinte logo pela manhã a moça realmente me ligou dizendo que havia encontrado o livro e uma disqueteira, que também era minha e eu não me lembrava. Eu disse que passaria pegar à tarde, na volta do trabalho mas, por um contratempo, precisei ir direto pra casa. Só quando cheguei em casa foi que tive um insight! Meu cachorrinho!!! Olhei na caixa de chá e ele não estava lá. Fiquei triste, de verdade.

De manhã disse ao meu marido que eu iria até a igreja na volta do trabalho buscar os objetos e verificar se encontrava o cachorrinho. Contei a história para meus colegas de trabalho que disseram que eu deveria voltar ao Japão para comprar outro. Eu teria que ir num DeLorean igual ao Marty McFly em De Volta para o Futuro (já contei que sou muuuuito fã da trilogia?) para encontrar um objeto fabricado há 19 anos atrás. Ele tinha valor sentimental pra mim. Pensei em fazer pesquisa por imagem no Google para ver se encontrava outro igual ou fazer um anúncio de procura-se. Sério, gente, a cabeça viaja longe rsrs. Chegando na secretaria, a moça não se lembrava de mim, eu disse que ela havia me ligado, ela prontamente pegou os objetos e então eu mostrei pra ela a foto que havia tirado de uma pesquisa no Google com a imagem do cachorrinho (esta mesma aí do topo da tela) e perguntei "por acaso, você não viu este cachorrinho, ele é deste tamanho assim" e ela rapidamente foi até um aparador onde havia imagens de santos e meu cachorrinho estava lá!! Ela pediu desculpas, disse que havia voltado do bazar e eu a interrompi dizendo que quem pedia desculpas era eu pelo transtorno e pela confusão e que ela não fazia ideia de como ela havia me deixado feliz. A vontade era de dar um abraço nela mas ela estava do outro lado do bancão e também tinha cara de que iria me achar louca se eu fizesse isso.

Cãozinho de volta pra casa, são e salvo igual a Mônica <3.

Pensa numa pessoa feliz!

Meu inu (cachorro em japonês) sobre o livro que me fez voltar para buscá-lo.

Você já perdeu algum objeto de valor afetivo? Conseguiu recuperá-lo? Me conta!


San

2 comentários:

  1. Oi San! Que bom que encontrou seu inu! Tenho me esforçado bastante para deixar voar coisas com valor sentimental também, estou na fase Marie Kondo (tentando). Das coisas que me desfiz conscientemente não sinto falta, mas sinto falta de fotos ou objetos perdidos, sabe...que ficou lá no passado, você se lembra muito bem, mas não sabe que fim deu.
    Achei que tinha perdido as fotos do Orkut, não me lembrava o que tinha feito para salvá-las até que outro dia tentando mudar minha foto no blogguer, acabou me aparecendo as fotos...fiquei muito feliz!
    Beijos

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  2. Olá
    bom saber que recuperou seus objetos !
    e seu cachorrinho lindo voltou para te acompanhar no serviço.
    já me vi em situações parecidas. Fiquei só com a recordação
    Um organizer Peter Walsh nos diz para fotografar os objetos antes das doações,
    assim podemos ficar com as lembranças e isso nos acalenta.

    bjs
    feliz semana !

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